Construção Irregular em Florianópolis: Riscos e Como Regularizar seu Imóvel

Construção irregular em Florianópolis é uma situação mais comum do que parece: casas, sobrados e até edifícios inteiros construídos sem o devido alvará, em desacordo com o projeto aprovado pela Prefeitura, ou sem averbação da construção na matrícula do imóvel. O problema é que um imóvel irregular perde valor de mercado, dificulta financiamento e venda, e pode gerar autuações municipais. Neste artigo, você entende o que caracteriza a irregularidade, por que regularizar o imóvel é importante e como isso pode valorizar seu patrimônio.

Vista aérea do centro de Florianópolis, Santa Catarina, mostrando construções residenciais e comerciais
Florianópolis/SC: o crescimento acelerado da cidade nas últimas décadas deixou um número expressivo de imóveis construídos sem regularização completa. Foto: Eduardo Mendes / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O que é uma Construção Irregular

Um imóvel é considerado irregular quando a construção não corresponde ao que está formalmente registrado e aprovado pelos órgãos competentes. Em Florianópolis, isso acontece com frequência em situações como:

  • Ampliações sem alvará: puxadinhos, ampliação de área construída, fechamento de varanda ou garagem sem aprovação municipal.
  • Construção em desacordo com o projeto aprovado: metragem, número de pavimentos ou uso diferente do que consta na Prefeitura.
  • Imóvel sem Habite-se: obra concluída, mas sem o documento que atesta que a construção está apta para uso.
  • Falta de averbação no Registro de Imóveis: a construção existe fisicamente, mas nunca foi incluída na matrícula do imóvel — que continua registrada apenas como “terreno”.
  • Loteamentos e construções em áreas de ocupação consolidada, comuns em bairros que cresceram de forma acelerada nas últimas décadas, sem toda a documentação urbanística em dia.

Além disso, é importante diferenciar dois tipos de irregularidade: a documental (a construção existe corretamente, mas falta o papel — alvará, Habite-se ou averbação) e a construtiva (a obra em si está fora do que a legislação municipal permite para o terreno). O caminho para regularizar cada uma é diferente, mas ambas têm solução.

Os Riscos de Manter o Imóvel Irregular

Manter um imóvel irregular por anos parece inofensivo no dia a dia, mas os riscos se acumulam com o tempo:

Situação Imóvel Irregular Imóvel Regularizado
Venda do imóvel Comprador com financiamento não consegue aprovar o crédito Venda facilitada, inclusive com financiamento bancário
Financiamento / uso como garantia Banco recusa aceitar como garantia real Pode ser usado em financiamento ou como garantia de empréstimo
IPTU e tributos Risco de cobrança retroativa e multas ao ser identificado pela Prefeitura Tributação correta e previsível
Seguro residencial Seguradora pode negar cobertura em sinistro Cobertura plena, sem contestação por irregularidade
Herança e inventário Complica a partilha entre herdeiros Bem líquido e de fácil partilha
Fiscalização municipal Sujeito a embargo, multa ou, em casos extremos, demolição Situação regular perante o município

Regularizar Valoriza o Imóvel

Este é o ponto central: a regularização de um imóvel eleva diretamente o seu valor de mercado. Um imóvel com metragem, uso e documentação compatíveis com o Registro de Imóveis vale mais — e vende mais rápido — do que um imóvel equivalente, porém irregular, pela simples razão de que o comprador (e o banco que eventualmente financia a compra) tem segurança jurídica sobre o que está adquirindo.

Na prática, imóveis regularizados em Florianópolis tendem a apresentar diferencial de preço em relação a imóveis semelhantes, mas irregulares, justamente porque a irregularidade embute um risco que o comprador precifica para baixo — ou simplesmente não assume, restringindo o universo de interessados a quem paga à vista e aceita o risco. Regularizar amplia o público comprador, viabiliza financiamento e remove esse desconto de risco do preço.

Como Funciona o Processo de Regularização

O caminho depende do tipo de irregularidade identificada, mas em linhas gerais envolve:

  • Levantamento técnico: um profissional (arquiteto ou engenheiro) mede a construção real e compara com o que está aprovado.
  • Projeto de regularização: quando a construção está fora do projeto aprovado, é necessário protocolar um novo projeto junto à Prefeitura de Florianópolis.
  • Habite-se: obtenção do documento que formaliza que a construção pode ser utilizada.
  • Averbação no Registro de Imóveis: etapa jurídica final, que atualiza a matrícula do imóvel para refletir a construção existente — é esse passo que efetivamente “existe” o imóvel para fins de venda, financiamento e sucessão.
  • Regularização fundiária (REURB): para casos de ocupação consolidada em loteamentos irregulares ou de origem informal, a Lei nº 13.465/2019 criou um procedimento específico, que pode ser conduzido de forma coletiva pelo município ou por associação de moradores.

Cada etapa tem exigências técnicas e documentais próprias, e a ordem certa evita retrabalho — por isso o acompanhamento jurídico desde o início do processo é o que garante que o imóvel chegue, de fato, regularizado na matrícula.

Centro da cidade de Florianópolis, Santa Catarina, com edificações residenciais e comerciais
Área central de Florianópolis/SC: bairros consolidados ao longo de décadas concentram parte significativa dos imóveis pendentes de regularização na cidade. Foto: atramos / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Perguntas Frequentes

Quanto tempo leva para regularizar um imóvel em Florianópolis?

Varia conforme o tipo e a complexidade da irregularidade — de poucos meses, em casos apenas documentais, a processos mais longos quando envolve REURB ou adequação construtiva. Uma análise inicial do caso concreto permite estimar o prazo com mais precisão.

É possível vender um imóvel irregular?

É possível, mas com restrições relevantes: o comprador não consegue financiamento bancário na maioria dos casos, e o preço de venda tende a ser menor para compensar o risco assumido por quem compra.

A regularização é só um trâmite administrativo ou também jurídico?

Envolve as duas frentes. A parte técnica (projeto, medições) é feita por engenheiro ou arquiteto; a parte jurídica — análise da matrícula, providências junto ao Registro de Imóveis, orientação sobre REURB quando aplicável — é o que garante que o resultado final tenha segurança jurídica real, e não apenas aprovação municipal.

Quando Procurar um Advogado

Se você tem um imóvel em Florianópolis com pendência de Habite-se, averbação ou está em um loteamento de ocupação consolidada, vale entender com um profissional de Direito Imobiliário qual é o caminho de regularização aplicável ao seu caso antes de vender, financiar ou deixar o imóvel em inventário. Cada situação tem particularidades que mudam o procedimento e o prazo.

Fonte e orientação jurídica: conteúdo elaborado sob orientação da Dra. Ana Paula Gasques, advogada especialista em Direito Imobiliário, OAB/SC 77722. Para uma avaliação do seu caso, entre em contato através do site anapaulagasques.adv.br.

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